Márcia Regina Cordeiro

1 - Como e quando tudo começou?
Em 1997, quando prestei vestibular para a Universidade Federal de São Carlos. Apesar de gostar das exatas de uma forma geral, eu queria compreender melhor a matéria, sua estrutura e suas transformações. Ingressei na turma de Química de 1998, da Universidade Federal de São Carlos, disposta a trabalhar na indústria e nunca pisar na porta de uma sala de aula. Hoje sou professora com muito orgulho! Tive vários exemplos nesta jornada, de pessoas que me inspiraram e ainda me inspiram. Dentre todos os brilhantes professores que tive, destaco a Profa. Sonia Biaggio cuja atuação docente é um espelho para mim até hoje. Ainda destaco a Profa. Wania Moreira, que mais do que conhecimento, me ensinou a ter sabedoria e, com isso, a ser uma cidadã.

2 - Por que fez essa escolha profissional?
Eu adoro indústria, linha de produção, etc. Mas ao mesmo tempo, queria compreender porque e como as coisas acontecem do ponto de vista da matéria. Por isso a escolha: Química. Quando estava terminando o bacharelado, comecei a me interessar pelo Ensino, e cursei a complementação em Licenciatura, enquanto cursava o mestrado. Ao final do mestrado e antes do início do doutorado, atuei no Ensino médio e comecei a compreender o que seria a carreira docente. Seu eu fosse química na indústria, eu faria um sabão e ficaria muito feliz com minha “produção”. Porém, no outro dia faria outros sabões, que seriam exatamente iguais; e outros, outros... Cada aluno é um aluno. Cada turma é uma turma e cada orbital molecular é O orbital molecular para aquele aluno. Ser professor de Química, em um mundo onde esta ciência é tão pouco compreendida e ter a chance de fazer a diferença, é o máximo!

3 - Quais são suas atividades profissionais atualmente? Gostaria de destacar alguma do passado?
Há 2 anos, sou professor adjunto da Universidade Federal de Alfenas – Minas Gerais. Desenvolvo atividades no ensino, na área de Química Geral e Inorgânica atuando em diversos cursos, como Biologia, Biotecnologia, Nutrição e Química, bacharelado e licenciatura. Desenvolvo ainda atividades de Pesquisa em duas áreas: Trabalho com compostos de coordenação, porfirinas e ftalocianinas, formando arranjos supramoleculares, estudando principalmente suas propriedades eletrônicas; além disso, tenho atuado na área de Educação Química com jogos didáticos, experimentação e estudos de casos como novas metodologias para aprendizagem significativa. Temos dois projetos de extensão, nos quais sou vice coordenadora, voltados à formação continuada de professores, além de atuar na formação inicial de professores pelo PIBID. Também sou Coordenadora do curso de Química – licenciatura a distância pelo sistema UAB, uma metodologia de ensino jovem, mas muito promissora.

4 - Se pudesse escolher uma descoberta da Química para ter realizado, qual seria?
Com certeza seria a Teoria de Werner! Não sei se devo considerá-la uma descoberta, ou uma interpretação, mas a maneira com que ele conduziu suas pesquisas, em uma área que não era sua especialidade, como ele combinou os resultados e suas observações, deve ser um modelo a seguir, de como administrar efetivamente o seu trabalho científico.

5 - Alguma sugestão para os novos profissionais e estudantes?
Ninguém nunca te dirá que será fácil. Mas com certeza valerá a pena!

6 - Quais barreiras a Química precisa ultrapassar ou quais perguntas ainda precisam ser respondidas?
Acredito que a barreira da ética, responsabilidade, colaboração, respeito ao próximo, ao meio ambiente e aos recursos (naturais e/ou financeiros). Quando tivermos vencido estes obstáculos, o avanço será inevitável, pois já temos o que precisamos: conhecimento, sabedoria e criatividade. Perdemos muito tempo tentando ser melhores que os outros, enquanto poderíamos dar ao mundo, o melhor de si.

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